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Modelo de prontuário nutricional (com os campos explicados)
Estrutura completa de um prontuário nutricional: quais campos incluir em cada bloco, por que eles importam e quais podem ser omitidos conforme o tipo de consulta.
Um prontuário nutricional não é um formulário: é a base sobre a qual você vai justificar cada decisão durante meses. Este modelo reúne os blocos que deveriam estar sempre presentes, com uma explicação de para que serve cada campo e quais você pode cortar sem perder critério clínico.
O erro mais comum ao montar um prontuário próprio é pedir informação demais na primeira consulta. Um formulário de sessenta campos alonga a anamnese, cansa o paciente e gera dados que você nunca vai usar. O objetivo não é coletar tudo o que é possível coletar: é coletar o que vai mudar uma decisão.
Bloco 1 · Identificação e dados administrativos
O mínimo para identificar o paciente e conseguir contatá-lo, além do consentimento. É o único bloco com implicações legais diretas, então vale deixá-lo resolvido desde o início.
- Nome completo e documento de identidade.
- Data de nascimento (não a idade: a idade se calcula sozinha e fica desatualizada).
- Telefone e e-mail de contato, e canal preferido.
- Data da primeira consulta e canal de captação (vai servir depois para saber qual canal traz pacientes para você).
- Termo de consentimento livre e esclarecido assinado e data da assinatura.
- Consentimento específico para fotografias, se você for tirá-las.
Bloco 2 · Motivo da consulta e objetivos
É aqui que se define o sucesso do tratamento. Registre o motivo com as palavras do paciente, sem traduzir para o jargão: a diferença entre "quero emagrecer" e "quero que meu joelho pare de doer ao subir escadas" muda toda a abordagem.
- Motivo da consulta, literal.
- Objetivo do paciente, expresso de forma mensurável e com prazo.
- O seu objetivo clínico, que pode não coincidir com o anterior.
- Expectativas sobre o ritmo de mudança: é o ponto em que mais conflitos são evitados.
- Tentativas anteriores: o que tentou, quanto tempo durou e por que parou.
Bloco 3 · Histórico clínico
- Patologias diagnosticadas, com data aproximada do diagnóstico.
- Medicação atual, dose e desde quando (relevante pelas interações e pelo efeito sobre o apetite ou o peso).
- Suplementação atual, incluindo a que o paciente não considera "medicação".
- Alergias e intolerâncias, diferenciando as diagnosticadas das autopercebidas.
- Cirurgias relevantes, em especial as digestivas.
- Histórico familiar de primeiro grau com impacto metabólico ou cardiovascular.
- Exames laboratoriais recentes disponíveis e data.
Bloco 4 · Antropometria e composição corporal
Registre o dado e o método. Uma dobra medida com outro adipômetro ou uma bioimpedância feita em condições diferentes não são comparáveis, e sem a anotação do método não há como saber disso três meses depois.
| Campo | Por que se registra | Imprescindível? |
|---|---|---|
| Peso | Referência de evolução mais simples e disponível | Sim |
| Estatura | Base de índices e de necessidades | Sim |
| Circunferência da cintura | Melhor indicador de risco cardiometabólico que o peso | Sim |
| Circunferência do quadril | Permite calcular a relação cintura-quadril | Recomendável |
| Dobras cutâneas | Estima gordura com baixo custo, exige técnica constante | Conforme formação |
| Bioimpedância | Acompanhamento de tendência, muito sensível às condições | Opcional |
| Condições da medição | Sem isso, nenhuma série é comparável | Sim |
Bloco 5 · Hábitos e estilo de vida
- Recordatório de 24 horas ou registro de 3 dias, conforme o tempo de que você dispõe.
- Estrutura habitual das refeições: número, horários e onde são feitas.
- Quem faz as compras e quem cozinha em casa — determina quanto controle real o paciente tem.
- Orçamento e acesso a alimentos, perguntados sem julgamento.
- Atividade física: tipo, frequência, duração e intensidade percebida.
- Ocupação e turnos de trabalho.
- Sono: horas e qualidade percebida.
- Consumo de álcool e tabaco.
- Nível de estresse percebido e sua relação com a ingestão.
A pergunta sobre quem cozinha quase sempre é esquecida e explica uma parte enorme da falta de adesão. Um plano perfeito entregue a alguém que não decide o que se come em casa não vai ser seguido.
Bloco 6 · Avaliação e diagnóstico nutricional
- Necessidade energética estimada e fórmula utilizada.
- Distribuição de macronutrientes proposta e justificativa.
- Diagnóstico nutricional em uma frase.
- Riscos identificados e sinais de alerta para encaminhamento.
Bloco 7 · Plano e orientações
- Plano entregue, com versão e data.
- Orientações concretas combinadas, em número reduzido e verificáveis.
- Objetivos para o próximo retorno.
- Data de revisão combinada.
Bloco 8 · Evolução
Cada retorno deveria acrescentar uma entrada, nunca sobrescrever a anterior. No mínimo: data, antropometria do dia, adesão observada, mudanças na medicação ou no contexto, ajustes no plano e motivo do ajuste. Esse "motivo do ajuste" é o que transforma o prontuário em um documento clínico, e não em uma lista de pesos.
Como adaptar o modelo ao seu consultório
- Comece pelos blocos 1, 2, 4 e 7: são o mínimo viável para trabalhar com critério.
- Inclua o bloco 3 completo se você atende patologias ou pacientes polimedicados.
- Corte o bloco 5 pela metade se sua primeira consulta dura menos de 45 minutos, e complete o restante na segunda.
- Transforme em campos fechados tudo o que você vai querer filtrar depois; deixe em texto livre o que você só vai ler.
- Revise o modelo a cada seis meses e elimine os campos que você nunca consultou.
Uma última observação sobre o formato: tanto faz começar no papel ou no digital, mas decida cedo. Reconstruir dois anos de prontuários em papel para passá-los a uma ferramenta é um trabalho que ninguém termina.
Perguntas frequentes
Quantos campos uma primeira consulta deveria ter?
Os que você consegue preencher sem alongar a consulta além do previsto. É preferível uma anamnese breve e bem registrada a um formulário extenso preenchido pela metade.
Posso usar o mesmo modelo para nutrição esportiva e clínica?
A estrutura sim, os campos não. A base de identificação, objetivos e evolução é comum; os blocos de antropometria e de avaliação mudam bastante conforme o perfil.
É preciso guardar os recordatórios de 24 horas originais?
Eles fazem parte do prontuário se você os usou para tomar decisões, então vale guardá-los com o mesmo critério que o restante do prontuário.
O consentimento informado é obrigatório em nutrição?
As obrigações concretas dependem do país e do tipo de intervenção, mas registrar o consentimento e a data é uma boa prática em qualquer contexto e protege você se algum dia precisar comprovar o que foi combinado.
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